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ÔNIBUS, TRANSPORTE PARA SEMPRE

Flexibilidade e baixo custo para implantação dos serviços são alguns dos pontos que provam: o ônibus é um meio de transporte que sempre irá servir à população e que se torna ainda mais importante com a expansão de outros modais.

Quando se fala em novos modais de transportes e na expansão dos serviços ferroviários urbanos e interestaduais, muitos, por desconhecimento ou puro oportunismo de marketing político, dizem que em breve boa parte dos serviços de ônibus em diversas cidades será extinta ou se tornará obsoleta.

Há ainda os que classificam o ônibus como um meio de transporte ultrapassado, mesmo em corredores exclusivos.

Discursos assim servem apenas para confundir a população e criar em algumas figuras públicas a falsa imagem de “inovadores”, “paladinos do progresso e da modernização”. Os especialistas e profissionais que defendem a utilização de ônibus a instalação de corredores exclusivos do tipo BRT e o estímulo a esse meio de transporte não são, em hipótese alguma, contrários à ampliação das malhas ferroviárias. Ao contrário, têm a consciência plena de que, hoje em dia, muitas demandas só serão satisfatoriamente atendidas por sistemas de grande porte como o metrô. Assim como existem outras que só podem ser atendidas pelos ônibus.As razões são várias. Primeiro porque o ônibus chega aonde o trilho jamais conseguiria, por mais avançados que sejam, hoje, os processos de engenharia. O país tem dimensões de continente e cidades de todos os tipos, relevos, topografias e condições climáticas. Até mesmo nas chamadas metrópoles, as realidades mudam em questões de poucos quilômetros percorridos. Para todas essas situações, há um ônibus apropriado.

Outro fato importante é a realidade financeira das cidades. Nem todas têm condições de implantar em tempo rápido um modal metroferroviário. Os sistemas de corredores de ônibus segregados, como os modernos BRTs – Bus Rapid Transit –, ou mesmo corredores expressos simples, têm-se revelado formas eficientes e economicamente responsáveis de melhorar e agilizar os transportes para os cidadãos. Além disso, o ônibus é extremante flexível, como mostra a história dos transportes coletivos.

É o único meio que consegue atender de maneira rápida ao crescimento populacional e econômico de várias regiões. Quantas vezes um investimento público ou privado transforma uma vila em cidade, provocando o crescimento da população que necessita do transporte? Vê-se então que o ônibus, com sua flexibilidade e pioneirismo, já estava lá atendendo à demanda.

As cidades são dinâmicas e muitas vezes mudam seus perfis econômicos e de ocupação. Nos anos de 1970, quando o Metrô de São Paulo foi implantado, muitos diziam que seria o fim de boa parte dos serviços de ônibus na maior cidade da América Latina. Que nada! O que houve foi apenas uma readequação dos serviços de ônibus. A história mostra que quanto mais se investe no modal metroferroviário, mais o ônibus ganha importância. Afinal, as pessoas precisam chegar de maneira  beficiente a um transporte de grande demanda também eficiente. Um meio de transporte complementa o outro.

Aliás, quando se fala em flexibilidade, basta lembrarmos o papel de pioneirismo representado pelos ônibus interestaduais, que hoje integram todas as cidades brasileiras. É o único meio de transporte capaz de fazer isso. E essa integração foi feita pelos próprios empresários, rodando em estradas muitas vezes inexistentes.

 

 

Por Adamo Bazani

Repórter da Rádio CBN, jornalista

especializado em transportes

Para revista ABRATI.

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