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O ABC DO FRETAMENTO

Atualmente a mobilidade urbana é um tema que toma conta dos debates políticos, acadêmicos e até mesmo no dia a dia das pessoas, o que é muito positivo, já que há algumas décadas era comum ouvir o cidadão reclamar dos transportes, mas não discutir sobre o setor.

Dentre as várias soluções apresentadas para que as pessoas tenham sua mobilidade qualificada pelo incentivo ao transporte coletivo estão os ônibus de fretamento.

Os serviços de fretamento foram apontados pelo Banco Mundial como alternativas importantes para diminuir o excesso de carros das ruas, atingindo de imediato esse objetivo, já que na atual situação, só um transporte qualificado, como é o oferecido pelos fretados regulares, convenceria as pessoas que só usam carros a deixar seus veículos próprios em casa.

Em cidades norte-americanas, há, em determinados horários, faixas exclusivas para ônibus de fretamento.

O que muitos não sabem é que os ônibus de fretamento são soluções históricas que marcam o surgimento dos transportes coletivos no País.

Em diversas cidades, muitas linhas que depois se tornariam regulares, tanto de caráter urbano como de rodoviário, surgiram como serviços de fretamento. Era comum uma comunidade alugar ônibus para excursões, eventos religiosos ou mesmo para transportes de trabalhadores e até entregas de encomendas. Alguns trajetos de fretamento se tornavam tão constantes que acabavam virando linhas regulares.

Mas foi entre os anos de 1950 e 1960 que o transporte de fretamento ganharia força e profissionalismo. E o berço deste processo foi o ABC Paulista, com a implantação das plantas industriais no país, em especial do setor automotivo.

Até os anos de 1970, o ABC atraiu pessoas de todo o País para trabalharem na indústria e também no setor de construção civil, para erguer indústrias e moradias para trabalhadores.

Breda, Galo de Ouro, Bozzato, Uematsu, Pato Azul, Tursan, Road Runner, Sabetur, Bonini, Santa Maria, Garcia, Cati Rose, RodiTur, Renalita, Zezinho Tur, Albatur, Planetatur, Rodrigues, Gatti, Diastur,Kubatur,  Santo Ignácio são alguns dos nomes que marcaram a história do setor na região.

Algumas empresas urbanas do ABC, como a Alpina e a Viação Padroeira do Brasil, se arriscaram a operar serviços de fretamento.

A região do ABC crescia de maneira rápida e somente as linhas urbanas não atendiam a esta expansão populacional. Os fretados iam até onde não havia serviços públicos de ônibus ou operavam nos chamados terceiros turnos, quando não havia oferta de transporte urbano, em especial no final da noite e na madrugada.

E recorrer a esta história, mesmo que apresentada de forma bem resumida, é uma possibilidade de achar respostas para os desafios do presente e do futuro.

O fretamento é uma alternativa de cobrir diversas lacunas na mobilidade urbana. Estimular o setor, ao mesmo tempo cobrando organização e regularizando, e não proibindo seu tráfego pode trazer efeitos positivos.

Talvez não na mesma proporção que a expansão de corredores de ônibus e linhas de metrô, mas o fretamento soma na luta contra o congestionamento e poluição provenientes do excesso de carros que ocupam muito espaço urbano e transportam pouca gente.

O ônibus fretado não pode ser considerado transporte público, mas é transporte coletivo. E as formas de locomoção coletivas, implantadas nos lugares e da maneira correta, são as soluções para que as cidades deixem de ser propriedade dos carros.

 

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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